Super Bock Super Rock 2006 – ACT1
A chegada ao Parque Tejo fazia-se já lentamente, e a concentração de medidas de segurança era notória. As filas quer para a bilheteira quer para a entrada no recinto eram enormes, enquanto o calor infernal que se fazia sentir levava a malta a dizer que era preciso uma praia. O negro dominava a cor do vestuário e dos adereços, afinal estavam ali para assistir ao dia mais “pesado” deste festival.
Os Ramp foram os primeiros actuar, enquanto muita gente esperava para entrar e mais gente ainda ouvia a música do palco principal no relvado, junto à margem do rio.
Logo depois os Moonspell, vieram apresentar o novo álbum, «Memorial», que se encontra no top de vendas nacional. Tiveram uma boa recepção do público, que era brindado com músicas velhinhas como «Opium» ou «Alma Mater».
Ainda a luz do sol brindava o recinto, já Max Cavalera gritava “Portugal!”. Depois de dois concertos esgotados, os Soulfly voltaram e o público respondeu, dizendo que estava ali para ouvir Soulfly. O mosh-pit levantava o primeiro pó do alcatrão do Parque Tejo, com muita gente a apresentar t-shirts de Soulfly.
Depois da passagem pelo Festival de Vilar de Mouros de 2005, os Within Temptation ganharam notoriedade, principalmente com o single “Memories”. O concerto com bastante garra, poder sonoro e cenário gótico deu a entender que o público conhece bem os Within Temptation.
O momento mais aguardado do dia era o concerto de Korn, a banda liderada por Jonathan Davis, que nos últimos 12 anos foi a banda de metal que mais discos vendeu veio a Lisboa apresentar o seu último trabalho, “See You On The Other Side”. O público gritava e libertava toda a fúria num mosh-pit, e não houveram momentos para descansar, já que todas as músicas agitaram bem o recinto.
No camping, mais uma vez no estádio do Sacavenense, a noite foi animada e deitou-se bem tarde. De manhã, o sol tornava o ambiente dentro das tendas infernal. As t-shirts de diversos movimentos saltavam à vista ao som das tribos, que organizadas como orquestras tocavam e gritavam numa tarde quente nas bancadas do estádio, enquanto aguardavam pela hora de partir para o Parque Tejo.
A presença dos nossos vizinhos espanhóis era enorme, estivemos à conversa com alguns, que nos disseram que o cartaz era tentador e os preços muito acessíveis, relativamente aos festivais espanhóis. Dada a proximidade e o tempo de deslocação chegaram a Lisboa vindos de Madrid, Sevilha, Vigo, entre outras cidades espanholas.
O segundo acto começou com responsabilidade nacional, os Primitive Reason, que regressaram ao SBSR animaram o público, que se manifestava de forma positiva.
O grunge de Seattle subiu ao palco neste mesmo dia – Alice In Chains, sem Layne Staley na voz, mas com os temas que marcaram uma época do grunge. Daí se dá conta de muitos fãs de uma geração mais “antiga”, mas com todo o entusiasmo, a recordar músicas como “Man In The Box”.
Os Deftones, formação do nu-metal, voltaram mais uma vez a Portugal, numa noite mais quente do que a do dia anterior. O concerto começou com toda a energia que seria de esperar. Chino Moreno é um senhor no palco e fez o público entrar em delírio, principalmente quando desceu do palco, subiu a grade e segurou uma bandeira de Portugal.
Talvez a principal atracção da noite, os Placebo, banda londrina, eram esperados por montanhas de fãs. Apresentaram um concerto cheio de rock e energia, percorrendo músicas dos seus mais antigos trabalhos, até ao mais recente «Meds».
Para terminar em grande o primeiro acto do SBSR os Tool, banda californiana, vieram a Lisboa apresentar o seu mais recente trabalho, «10000 Days». Considerado por muitos o melhor concerto deste acto, a verdade é que foi um espectáculo memorável e com prestações musicais bastante boas.
Edgar Costa
Fotografia por Hugo Lima








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