Reportagem Paredes de Coura 2009
Terminou na madrugada de domingo a 17ª edição do Festival de Paredes de Coura.
Num ano marcado pela ausência de patrocinador oficial e pelo regresso da chuva, Paredes de Coura conseguiu novamente surpreender os milhares de festivaleiros que rumaram ao norte, vindos das mais diversas zonas do país e também da vizinha Espanha, para ver bandas como Franz Ferdinand, Patrick Wolf, Peaches, Nine Inch Nails ou The Hives.
O Frequência Máxima como habitualmente não faltou à peregrinação e acompanhou os dois últimos dias do festival que podem agora ser revistos pelos ouvintes da Cidade Hoje. Na sexta-feira, dia 31 de Julho, o anfiteatro natural da Praia Fluvial do Tabuão acolheu perto de 23 mil pessoas, ansiosas pelas actuações da provocadora e irreverente Peaches e dos Nine Inch Nails que pouco antes do festival anunciaram que esta seria a última digressão. Mas a noite começou cedo, por volta das 19h00, com a subida a palco do actor agora cantor Pedro Laginha e os seus Mundo Cão. Oriundo de Braga, o colectivo, ainda a ganhar experiência em palco, passou em revista grande parte dos temas do seu segundo álbum “A geração da matilha”, cujas letras são da autoria do genial Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta) e Valter Hugo Mãe, que também actuou nesta edição no estreante palco Palavras na Relva.
Seguiram-se no alinhamento os Portugal The Man, que embora com Portugal no nome vieram dos Estados Unidos para nos apresentar o rock progressivo do seu álbum “The Satanic Satanist” e os aguardados Blood Red Shoes que abriram para Peaches, detentora de alguns dos melhores momentos desta 17ª edição. Electrizante, inesperada, provocadora, Merril Beth Nisker que já foi professora primária é um animal em palco que sabe cativar o público. Cantou em crowdsurfing, protagonizou instantes de culturismo, obrigou os festivaleiros a tirarem a t’shirt e ainda gravou a cena. Peaches fica na memória como uma das melhores prestações deste festival.
O palco Nokia terminou com Trent Reznor e o industrial dos Nine Inch Nails, naquela que será provavelmente a última actuação da banda em Portugal. Perante uma legião de fãs vestida a rigor que começou bem cedo o mosh, os NIN revisitaram os clássicos da carreira, terminando com o incrível “Hurt” cantado em uníssono pela audiência de Paredes de Coura. Poucas palavras há a dizer sobre um adeus tão emotivo. Ficam por isso os vídeos do youtube e as centenas de fotos disponíveis na internet.
Chegamos ao dia 01 de Agosto, último dia do festival que abriu com a prestação de Manel Cruz, ex-vocalista dos Ornatos Violeta, actualmente a cargo do projecto solo alternativo Foge Foge Bandido que tem corrido as salas de espectáculo do país. “O amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei” foi o mote para este concerto que embora tenha tido direito a encore começou a meio-gás. Por volta das 20h30, soaram os espanhóis The Right Ons, repescados do palco Ibero Sounds no qual actuaram o ano passado, e que acabaram por ser uma espécie de presente aos muitos espanhóis que nos últimos anos têm vindo ao festival.
O cartaz prosseguiu com os australianos Howling Bells, bem liderados pela voz melancólica de Juanita Stein, e por Jarvis Cocker, ex-líder dos Pulp, que protagonizou um concerto animado e com elevado sentido de humor, uma escolha acertada para antecipar a entrada triunfal dos suecos The Hives. Com um rock explosivo, carregado de energia, a banda esteve em permanente contacto com o público, levando-o à histeria – que o digam os seguranças que não tiveram mãos a medir para travar os sucessivos mergulhos no fosso entre as grades e o palco. É caso para perguntar como é que um país tão frio dá à luz uma banda com tamanha capacidade de entretenimento? Bem-haja à organização pela escolha dos The Hives como banda de fecho desta edição.
Paredes de Coura regressa em 2010, entre os dias 28 e 31 de Julho.
Texto: Carina Silva
Fotografias: Gentilmente cedidas por Hugo Lima












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